quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Há 169 anos atrás

Há 169 anos atrás, em 08 de dezembro de 1841, um jovem sacerdote italiano acolhia um adolescente órfão e analfabeto, que tinha sido enxotado pelo sacristão.


Em uma conversa sincera, com um sinal da cruz e uma Ave Maria, iniciou-se uma grande obra educativa, que espalhou-se pelo tempo e espaço, influenciando e mudando a vida de milhões de pessoas. E tudo começou com ACOLHIDA, DIÁLOGO E ORAÇÃO.


Estou falando de Dom Bosco, que na presente data acolheu, dialogou, orou e ensinou o jovem Bartolomeu. Este, trouxe, na semana seguinte, outros em situação semelhante. A estes juntaram-se outros. Eram centenas.


Que belo exemplo esse de Dom Bosco! Deve ser repetido por muitos por este mundo, se quisermos de fato que o jovem seja protagonista.


Aproveito para celebrar também a conclusão de um vídeo, que a direção da escola na qual trabalho, me encomendou, como síntese dos momentos que estivemos juntos à nossos educandos neste primeiro ano da história da nossa escola.


Que Dom Bosco continue a nos iluminar e a dar o exemplo de como educar nossas crianças e nossos adolescentes. De forma simples, mas atuante.


Afinal, prestaremos contas a Deus pelo que fizemos a cada um desses pequenos confiados a nós.


João César

domingo, 28 de novembro de 2010

Aniversário do C.E.U. Jaguaré

C.E.U. Jaguare, em seu aniversario 27/11/2010 C.E.U. Jaguare, em seu aniversario 27/11/2010
C.E.U. Jaguaré , em seu primeiro aniversário de inauguração (27/11/2010). Imagens de arquivo pessoal.



O Centro de Educação Unificado Jaguaré é um local privilegiado por comemorar três aniversários ao ano: chegada dos funcionários pioneiros; chegada do primeiro agrupamento de alunos e educadores; inauguração oficial. Este último evento festejamos neste sábado, 27 de novembro.


Foi um rico momento de vivenciarmos encontros: com a comunidade, com os gestores, com as autoridades e com os educadores das unidades que formam o complexo educacional, esportivo e cultural. 


Nos rostos dos presentes via-se alegria, serenidade, participação. Troca de olhares, de palavras, de presenças, de experiências, de visões de mundo. Celebração dessas trocas, que ocorrem diariamente, mas aqui, nesta data, de forma mais solene. Sem isso não há educação. Por isso, somos privilegiados, só na educação há essa possibilidade. E isso é que faz a diferença. "Deixamos um pouco de nós nos outros, recebemos um pouco dos outros em nós", como escreveu Exupery. Precisamos desses momentos, pois a burocracia e o tecnicismo  matam, a convivência ressuscita.


Um outro fator também pode (e deve!) ser refletido nessa celebração de encontros: a participação da comunidade não somente em qualidade, mas em quantidade. Isso mesmo, não escrevi errado não! Todos que me conhecem estão acostumados com o fato de que coloco a qualidade acima da quantidade. Mas neste momento faço questão de inverter sim! 


A qualidade dos encontros foi enorme, sem dúvida, mas não foi abrangente. Pode enganar nosso olhar o fato de que havia muita gente participando da festa. E tinha. Mas se levarmos em conta que não se trata de uma escola, mas de um conjunto de várias unidades voltadas à comunidade, a participação foi muito fraca. 


O C.E.U. foi construido para uma comunidade enorme: o distrito do Jaguaré tem uma população residente de mais de trinta mil habitantes (além da população flutuante, há muitas empresas no bairro, somos rota para vários bairros e cidades). A Vila Nova Jaguaré, que está na "porta" do C.E.U. tem uma população que corresponde há quase um terço da população do distrito, com grande índice de vulnerabilidade social em consequência da suposta falta de espaço para cultura e lazer - para superar essa lacuna é que o C.E.U. foi estrategicamente edificado onde está! Então, cadê a comunidade na festa de aniversário do C.E.U.? Era para estar lotado em todos os espaços!


Secretario da Educacao e Dirigente Regional de Ensino, no aniversario do CEU Jaguare 27/11/2010
Duas (das várias) autoridades presentes: Alexandre Schneider (Secretário Municipal da Educação, à esquerda) e Waldecir N. Pelissoni (Diretor Regional da DRE de Pirituba) chegam para as comemorações do aniversário do C.E.U. Jaguaré, acompanharam o grupo de professores em suas observações sobre os problemas do entorno da Unidade. Foto de arquivo pessoal, mostrando pessoas públicas em evento público.




Quem falhou? Onde e como? Uma autoridade, questionada por um grupo de professores sobre a situação do trânsito no entorno, chegou a desabafar que veio para uma festa, não para ouvir reclamação. Tudo bem que não devemos misturar as coisas, festa com reclamação, mas celebrar uma festa (isso é o que fizemos) é refletir sobre o que está bom e o que precisa ser aprimorado. A vida é assim. Por isso proponho essa reflexão: cadê a população na festa do C.E.U.?


Será que essa população ainda não se apropriou desse importante equipamento? Já faz um ano que estamos em funcionamento, daria para a apropriação deste espaço público estar ocorrendo progressivamente. Invertendo a questão: o que o C.E.U. Jaguaré tem feito para aproximar-se da população? Quais estratégias, quais ruidos de comunicação podem estar por trás desse distanciamento?


Repito: celebrar uma festa vai além da alegria, pois esta deve ser plena e abrangente. Refletir é uma capacidade humana que não dever ser esquecida, em nome de nada e de ninguém. Vamos "arregaçar as mangas" ainda mais e refletirmos sobre como podemos fazer-nos presentes na vida da comunidade. Afinal não é isso que tanto se fala que os educadores devem fazer?


Abraços fraternais.


João César

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Como vai, colega educador?

Como vai, colega educador?


Parece uma pergunta tola, mas não é!

Olhe para dentro de você, seja sincero. 


Vou começar respondendo por mim, ai você fica mais à vontade, certo?


Bem mesmo, não ando, mas poderia ser pior. Não sou otimista, nem pessimista, mas realista. 


Quando escolhi esta profissão, tinha 14 anos de idade, estava na oitava série e fui convencido a mudar de caminho, pois em 1989 o negócio já não estava assim tão bom. Quando conclui o antigo Magistério, mais críticas e conversas para eu desistir. Todos ficaram horrorizados quando comecei a lecionar. "Com tanto futuro, esse ai poderia ser jornalista, escritor, advogado ou padre", diziam. De fato, tenho tendências a tudo isso, mas não é porque a profissão não anda bem que eu não vou insistir nela. Sou professor, essa é a minha escolha!


Mais de uma década que estou na ativa, tive muitas oportunidades de pular fora, e não pulei, nem pretendo pular. Já passei por muitas dificuldades, ameaças, até mesmo atentados, mas não pulo fora por nada!


O leitor deve pensar: "esse ai é doido mesmo!" Respondo que nada disso, apenas fortaleço-me diariamente das seguintes formas:


a) Consciência história: sei que minha profissão foi melhor valorizada no passado, que meus antecessores foram abrindo mão de vários direitos em nome de não sei o quê. Na medida do possível deixo claro que não abro mão dos direitos que ainda sobraram, doa a quem doer!


b) Objetivo bem claro: tenho consciência de que não mudo o mundo com meu trabalho docente, nem aos outros, mas posso estabelecer uma troca saudável entre eu e o outro. O outro me enriquece e eu enriqueço o outro; faço-me presente nele, e ele em mim; enfim, participamos das conquistas e derrotas mutuamente, somos parceiros de caminhada. E no caso da criança, essa caminhada dá-se de forma lúdica, a alfabetização e a formação do conhecimento podem ser uma "brincadeira" a mais em nossas vidas. Pelo menos, até agora, tem dado resultados e nenhuma quinquilharia que tentam impor desvia-me deste rumo, que não é meu, mas nosso.



c) Vínculo Comunitário: Há mais de quinze anos trabalho com a mesma comunidade. No começo foi muito difícil. Como em todos os lugares, há seus pontos positivos e seus pontos a melhorar. Em uma comunidade periférica, onde mais da metade da população está abaixo dos 30 anos de idade, com perfil de alta vulnerabilidade social, o negócio é pior. Mas pessoas que mostraram muito carinho para com essa Comunidade serviram-me de exemplo a persistir. E deu certo. A Comunidade não mudou (até parece que piorou), mas os vínculos estão fortes. As vezes ficar na porta da escola dando um sorriso àquela mãe carrancuda pode fazer a diferença, pode desarmar uma bomba; entrar numa rodinha de conversa ou de brincadeiras dos alunos e mostrar interesse por isso, pode fazer uma diferença enorme; encontrar com esse aluno ou sua família na rua ou no ônibus e perguntar sinceramente se estão bem, desamarra caras fechadas e sombrias. Não soluciona problemas, mas impede a criação de novos e pode até mesmo diminuir os existentes. Palavra chave: diálogo!



d) Espiritualidade: cuidar de meu relacionamento comigo e com os outros é uma questão de espiritualidade. Como me vejo? Como vejo o mundo? Isto não depende, necessariamente, de Religião, mas de como relaciono-me comigo, com os outros e com o transcendente. Tem coisa que a Ciência não consegue explicar de forma satisfatória como, por exemplo, o relacionamento professor-aluno (tentam, mas as respostas possíveis e atuais, não me satisfazem). Isso é o que chamo de Transcendente, aquilo que não está em mim, nem no outro, mas no caminho entre nós. Este ponto é vital, sem o qual nada é possível: posso ter ótimos livros, ótimos computadores, mas se não interajo com o aluno, ajudado por esses meios, não acontece nada! Cuidar de minha espiritualidade é aguçar meu olhar para aquilo que não se vê, é curtir uma música, um filme, um livro, é revigorar minhas energias. E isso, por mais que neguem, é real, é fato. A sabedoria popular diz que "saco vazio não para em pé". Não sou saco vazio, tenho algo dentro e preciso cuidar desse algo.



Enfim, amigo educador, vou terminando aqui, pois a conversa já está longa.


Agora é sua vez. Como anda sua consciência sobre a profissão, anda abrindo mão de muita coisa sem clareza? Seu objetivo é claro e você elimina as quinquilharias que tentam afastar dele? Como é seu vínculo comunitário? - lembre-se de que, às vezes, é preciso abrir mão de algo para conquistar coisas maiores (o mar, em sua imensidão, abaixa-se para receber as águas dos rios). Como anda sua espiritualidade, seu interior? E sua privacidade: você mostra aos outros até que ponto podem chegar com você e vice versa? Eu faço isso, para evitar que mundos tão ricos se invadam e se anulem!


Pense bem antes de responder-me. Não aceito resposta escrita, quero olhar em seus olhos, sentir cada palavra que me falar. Afinal, o corpo e o olhar falam mais do que mil palavras.


Abraços e feliz dia dos professores a todos nós!


 João César

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dia da criança ou criança todo dia?

DIA DA CRIANÇA OU CRIANÇA TODO DIA?



Infelizmente, há datas que têm sua finalidade deturpada pelas pessoas. Assim é o dia da criança. Fala-se muito da criança, dá-se muitos presentes, mas no resto do ano, as pessoas não se fazem presente na vida das crianças.



Muitas crianças gostariam, ao invés de um presente uma vez por ano, que as pessoas estivessem presentes em suas vidas diariamente. E não venha justificar-se com a correria do dia a dia, pois presença não se faz somente pelo tempo dedicado (quantidade), mas pela intensidade (qualidade) do tempo em que se dedica a alguém.



Isso lembra aquela história do pai que nunca tinha tempo para seu filho, pois era um mártir do trabalho, a fim de dar a família condições dignas de vida. Mas toda noite passava pela cama do filho, acariciava-o, dizia-lhes umas palavras afetuosas e deixava um nó no lençol, como prova de que esteve ali por alguns segundos.



Também lembro-me de um fato recente (julho de 2010), ocorrido com uma aluna minha, na formatura do PROERD: seu pai, caminhoneiro, trouxe a filha até a porta da escola, abraçou-a profundamente, disse ter muito orgulho dela, mas que não daria para ficar na formatura, pois tinha que descarregar o caminhão. Esse pai disse também que a mãe da menina, já falecida, com certeza estava muito orgulhosa, vendo tudo do céu. Essa menina, sorridente e alegre, sempre tem seus pais presentes em seu coração. Por isso mesmo é uma aluna que se destaca no aprendizado e no comportamento, como outros também.



Nestes mais de dezesseis anos de docência, tive várias  outras experiências de pais e mães que poderia argumentar que não tinham tempo a seus filhos (e não tinham mesmo, se levarmos em conta o tempo cronológico), mas davam o máximo de si: mães analfabetas que reservavam alguns segundos suados para ver os cadernos dos filhos e fazer elogios aos progressos que viam e sentiam ali, mesmo não sendo capazes de ler o que estava escrito; pais que, mesmo cansados do trabalho, eram capazes de beijar a mulher e os filhos, que não tinham dinheiro para dar presentes, mas estavam presentes.



Preferi dar esses exemplos positivos, mas quero lembrar também daqueles pais que nunca estão presentes, mas fazem questão de encher os filhos de presentes e nunca dão-lhes uma palavrinha de carinho, nem uma correção afetuosa quando os filhos erram; aqueles que são apenas motoristas, levando a criança à escola ou catequese, e nunca se preocupam em perguntar aos educadores como suas crianças estão; aqueles que renegam a criança na frente de todos, como se ela fosse consequência de um aborto mal sucedido - infelizmente, atendo vários casos assim onde leciono.


O extremo dessa omissão toda também é prejudicial, como aqueles que querem corrigir os filhos de qualquer modo, inclusive humilhando-os ou espancando-os, quando não explorando ou abusando;ou formas mais sutis, como a superproteção, que tira a iniciativa da criança em agir. Tudo isso – omissão e certas ações, são formas de negligência, de crueldade.



E o que falar daquele tipo que só visita a criança (tanto em seu lar, como no orfanato), somente no dia 12 de outubro? Ou que percorre as ruas, nessa mesma data, distribuindo presentes e guloseimas, mas nos outros dias faz questão de cuidar bem de seu “totó” e gritar em altos brados “morte e cadeia aos menores abandonados”?



Em meio a tudo isso fico muito feliz com iniciativas de pessoas e entidades que tratam da criança o ano todo. Os padres Rosalvinos, Robertos, Julios – e tantos outros, que estão ali, com as crianças diariamente, em suas necessidades, fazendo-se presença viva e atuante, muito mais do que pais. E também os pais que citei anonimamente no incio deste texto. De pessoas assim, presentes o ano inteiro, verdadeiros presentes na vida das crianças.


E termino dedicando um carinho especial à todas as crianças que nestes  mais de dezesseis anos de Educador passaram por mim (e as que passam, e aquelas que passarão), sobretudo as mais problemáticas, com seu jeito de gritar por socorro. Agradeço a Deus por colocá-las em meu caminho, pois tenho consciência de que estou servido a Ele nelas.



Que Deus continue dando-me forças para que eu seja capaz de fazer a diferença na vida das crianças, diariamente, e não somente no dia 12 de outubro. Bênçãos também a eles, meus colegas educadores (inúmeros e anônimos) que dedicam-se às crianças. E, claro, bênçãos também aos inúmeros Rosalvinos, Robertos e Júlios que me mostram que o caminho é a Educação.



Minha gratidão a todos!


João César
12 de outubro de 2010.
http://pazeduca.pro.br/profjoao

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Breves notas explicativas, de nomes citados no texto:


"Roberto": Referência ao padre Roberto, da Congregação de Santa Cruz, (família religiosa fundada pelo padre Moreau, conhecida em São Paulo pelo colégio de mesmo nome) que mantém vários núcleos socio-educativos no bairro do Jaguaré, atendendo aproximadamente 800 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.




"Rosalvino": Padre Rosalvino, sacerdote salesiano (congregação fundada por Dom Bosco) que possui um enorme e belíssimo trabalho sócio-educativo no bairro de Itaquera.




"Júlio": Padre Júlio Lancelotti, atuante junto a menores abandonados, crianças aidéticas e moradores de rua, por isso mesmo invejado e perseguido por muitos. Atua sobretudo na zona leste paulistana.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Amanhecer no ceu do CEU Jaguare


Amanhecer no CEU Jaguaré - 10/08/2010.

Amanhecer no CEU Jaguare - 10/08/2010
Nascer do Sol no Centro de Educação Unificado Jaguaré, 10/08/2010. Imagem de arquivo pessoal.


O Sol surge por entre árvores, saudando a todos nós. Começa mais um dia de inverno.

A umidade vinda do mar, aos poucos, enche o céu de nuvens. O Sol voltará somente algumas horas mais tarde, por volta das 11 horas.

Esse Sol vem trazer paz, alegria e tranquilidade para os que assim desejarem, colorindo um pouco mais a vida nossa de cada dia.

Precisamos parar de ver somente o lado feio da vida. Coisas bonitas também fazem parte da vida e nem sempre estamos dispostos a apreciá-las.



Imagem obtida a partir do pátio externo.

Foto de arquivo pessoal, que não mostra pessoas, mas apenas cenário.